• Lucão

A ponta do iceberg



A maioria ainda não sabe qual é, mas todo mundo tem um tema que é só seu.


O de Hemingway tinha a ver com a pesca. Chimamanda Ngozi, suas raízes africanas. O de Manoel de Barros, o mato. De Mario Quintana, a palavra. Rubem Alves, a educação. Adélia Prado, a memória. Estou aqui, eu mesmo, escolhendo os temas dos autores que mais leio, observando o que mais se repete em cada um, os assuntos recorrentes.


Mas para que a gente consiga perceber quais são os nossos temas, além de nós mesmos nos lermos, é preciso escrever muito. Só com um volume consistente de textos que você vai conseguir enxergar o seu tema recorrente, o que mais motiva você a escrever.


Isso não quer dizer que, depois de descobrir sua temática, você só deva escrever sobre o mesmo assunto. Não. Quer dizer que você vai revelar para si um motivo importante que te leva a escrever. E isso diz muito sobre você. Claro que a escrita é lugar de muitos assuntos, e quanto mais eu exploro outros assuntos, mais amplio minha capacidade de elaborar os textos. Mas saber qual é o seu tema principal pode jogar luz à sua caminhada de escritor(a) e de repente dar ideias para um projeto maior, como um livro.


Descobrir quais são os seus temas é só o começo. É preciso também saber explorar os assuntos, mergulhar, investigar, averiguar, descobrir novos assuntos submersos nele mesmo. É assim que grandes histórias são escritas, com muito interesse, investigação e esforço.


Fica a minha provocação para você: descubra qual é ou quais são os seus temas. Escreva bastante, coloque as ideias no papel e comece a perceber o que mais se repete.

Escreva escreva escreva e depois leia o que você já escreveu,


Mas não confunda. Descobrir o seu tema é a só a ponta do iceberg, que vai revelar uma história ainda maior e profunda sobre a sua escrita.


É preciso mergulhar para ver.


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