• Lucão

Com ou sem prazer?



Foi sem querer que comecei a escrever literatura. Eu era um apaixonado por livros e gastava horas do dia lendo. O desejo de escrever veio, naturalmente, em seguida.


Imagino que esse seja um caminho comum de quem ama ler: escrever. Nem sempre com o desejo de publicar livros. Mas bons leitores — eu aposto meus dinheiros que sim — de alguma forma escrevem. E digo mais: escrevem bem. Escrever é uma forma de fortalecer o vínculo afetivo com as palavras.


Nem todos os que leem escrevem com o desejo de fazer literatura, de estar nas estantes das bibliotecas e livrarias... Alguns escrevem para guardar memórias, outros para exercitar o pensamento, articular as ideias, trabalhar o raciocínio ou lidar com os sentimentos. Mas todos que escrevem com essa paixão pela palavra estão, conscientemente ou não, criando literatura.


Genuinamente, é assim que a escrita literária surge, de uma sucessão de prazeres e desejos adquiridos através dos livros. Por isso é muito difícil a quem não tem o hábito de ler conseguir escrever bem. Sem intimidade com o texto, sem uma relação verdadeira com as palavras adquiridas na leitura, a escrita, basicamente, se limita a uma atividade forçosa e pobre.


Particularmente, não acredito em literatura objetiva. Quero dizer, em textos que nasçam não do vínculo do escritor com a palavra, mas do desejo do escritor — ou da editora — de vender.


Para escrever literatura é preciso ter vivência literária de tal forma que, naturalmente, as palavras surjam para ocupar as lacunas do(a) escritor(a). Sem esse preenchimento baseada na paixão, a literatura não flui.

Desenvolver a escrita literária é uma jornada prazerosa, que todo mundo pode e deve experimentar. É preciso ter paciência para encontrar o que te comove. Minha dica é: comece devagar, aprendendo sobre si mesmo(a). Procure livros como se procurasse um espelho para se enxergar por completo(a). Depois, aprimore sua procura. Compre espelhos menores, enxergue seus detalhes... Você também pode comprar alguns espelhos distorcidos, para enxergar-se de um jeito diferente. E, por fim, quebre seus espelhos. Leia-se através do que você já sabe de si. Invente seus reflexos. Escreva.


Naturalmente — estou seguro em dizer isso — ao encontrar-se tão profundamente, as palavras vão ocupar brilhantemente suas lacunas.



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