• Lucão

Como escrever textos ruins




Quem não escreve imagina que bons escritores(as) só escrevem textos bons. Assim como quem não cozinha imagina que os bons chefes, como os dos realitys shows, só cozinham pratos suculentos. Mentira.


Na verdade, a escrita dos grandes escritores — eu não tenho dúvida — é muito mais feita de textos ruins do que de bons. Sim, para escrever os poucos textos muito bons que os escritores publicam e viram best-sellers, muitos textos ruins tiveram que ser escritos.


A notícia boa é que para quem escreve, escrever texto ruim não é ruim. Na verdade, é o que dá prazer ao escritor, passear pelas páginas ainda em desordem, ainda sem brilho, como quem procura ouro em garimpo: peneirando a terra, encontrando pouco ouro, mas muitos outros itens com valores distintos, diamantes, pratas, itens improváveis, surpresas e até o nada — a escrita do nada é uma escrita valiosa no meio literário.


Para escrever bons textos é preciso escrever bastante. É isso que eu quero dizer. E quando se escreve bastante, você não descobre só o texto bom, mas outros textos que não precisam ser classificados como bons ou ruins. Talvez sejam textos fundamentais para o caminho do texto bom. Talvez sejam sementes de um best seller ou textos que lhe ajudem a enxergar sua escrita com mais clareza, que evidenciem suas dificuldades para que você as supere. Ou talvez sejam as bobeirinhas que eu já mencionei em outro texto, aquelas que têm valor tão alto quanto a pedra preciosa.


Não há como escrever bons textos sem escrever textos ruins. É a partir do exercício de escrever volumosamente que se encontra o ouro, lapida a pedra bruta, semeia o futuro com as palavras.


Escreva muito. Desfrute dos textos ruins enquanto procura pelos best-sellers, e talvez você corra o risco, assim como eu, de gostar muito mais das bobeirinhas que dos best-sellers. Ou melhor, muito mais da terra que do ouro.









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