• Lucão

Arroz com feijão e algo mais

O inesperado é uma joia pro texto, principalmente se falamos de poesia.


Quando nos habituamos a escrever, tendemos também a nos habituar com o texto comum, de escrever sem aquele cuidado de promover o espanto. Normal, principalmente para quem escreve muito. Mas digo: cuidado com esse costume, pois ele também é uma armadilha.


Falando de poesia, escrever assim é o anticaminho poético. Quando passamos a escrever o que esperam de nós, perdemos a surpresa. Pois o "tchan" do texto poético, assim como na comédia, é a quebra da expectativa. Ou a quebra de um texto que esperam que a gente escreva.


Tenho uma provocação para você. Que tal, ao invés de escrever o que esperam que escreva, se pergunte: o que não esperam que eu escreva? Em um poema sobre o sentimento de saudade, o que não esperam que você diga? O que ninguém poderia imaginar que você iria escrever?


Quando nos provocamos a pensar assim, escrevemos com o elemento principal de qualquer texto: a surpresa, que também gosto de chamar de presente, pois é o que damos de mais valioso ao leitor. É essa surpresa que provoca o espanto em quem nos lê. E um leitor espantado é um leitor comovido pela poesia.


Perturbe-se, provoque-se, inquiete-se sempre ao escrever. "O que não esperam que eu escreva sobre isso?" E escreva. Quanto mais você exercitar essa forma de pensar, mais ela se naturaliza no seu processo de escrever.


Pense sempre que arroz com feijão mata a fome, mas não mata a vontade de comer.





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