• Lucão

Escrever para se reciclar




Escrever é um processo terapêutico, sim. Essa escrita que dedicamos a nós, antes de entregarmos aos outros, é um processo de comunhão conosco. Ao escrever, ao colocar no papel palavras do nosso próprio repertório, das nossas histórias e memórias, estamos contando para nós mesmos quem nós somos.


Ler-se. Esse é um processo que se inicia na escrita. Escrever, organizar e depois se ler pode ajudar a perceber questões que lidamos hoje, mas que fortemente estão ligadas à nossa história.


Antes de continuar esse texto, deixa eu fazer uma nota: sempre que falo sobre o processo terapêutico da escrita, reforço a importância de termos profissionais especializados nesse assunto nos ajudando nessa jornada: os psicólogos. Sou filho de uma psicóloga que sempre me estimulou a me conhecer, a desfrutar da psicoterapia para enxergar meus pontos com clareza e ganhar recursos para enfrentar a vida com equilíbrio. Procurem esse apoio sem medo e com o desejo de quem quer tomar conhecimento pleno de si.


Dito isso, retorno à escrita, que sem dúvida pode ser um ótimo caminho para iniciar ou apoiar esse processo.


Muitas pessoas que querem escrever têm dificuldade em encontrar temas para a própria escrita. O que sempre provoco nos cursos que ministro é que nós mesmos somos a maior fonte de pesquisa para os temas que podemos escrever. Nossas memórias, vivências, nosso passado... não há fonte melhor para contarmos histórias ou brincarmos de escrever bobeirinhas do que o resgate da nossa própria história.


Quando fui convidado a escrever crônicas para um jornal de grande importância, tive essa questão: o que escrever? De repente me toquei que era a oportunidade de resgatar meu passado e passá-lo a limpo, ora brincando com minhas próprias lembranças, me divertindo escrevendo pequenas historinhas a partir das memórias, ora retratando-as como um documentarista registra um acontecimento.


O que eu compreendi foi que escrever crônicas foi e ainda é importante para o meu processo de aperfeiçoamento da escrita. Mas mais do que isso: um caminho valioso para a autocompreensão, para enxergar quem eu fui, entender os meus gostos atuais, os motivos das escolhas que me trouxeram até aqui.


Não quero e não posso me delongar muito sobre o assunto, pois não sou um especialista, e como já disse, procurem-os para aperfeiçoar esse processo de autoconhecimento.


Mas o que eu posso dizer sobre esse tema é isso: escrever é uma forma de passar a vida a limpo. Escrever é reciclar-se.








57 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo