• Lucão

Escrita em camadas




Sei que escrever não é uma tarefa tão fácil. A escrita fluída, a que lemos nos livros e nos textos de escritores(as) que admiramos, parece que foi construída com facilidade. E talvez até tenha sido. Mas a verdade é que essa escrita é fruto de muitos mergulhos de quem escreve.


Quero falar rapidinho sobre isso, os mergulhos da escrita. Escrever é mergulhar. Ficar na superfície do texto é o que nos faz pensar que escrever é difícil. Quando não conseguimos fazer o mergulho, o texto não sai do lugar comum, não conta a história profunda. Não surpreende.


O primeiro passo para a escrita que envolve o leitor é aprofundar-se. A primeira camada da escrita é feita das nossas próprias histórias, com nosso próprio vocabulário. Usar o que já temos, mergulhar em memórias, em observações e pensamentos próprios é o primeiro passo desse aprofundamento. A primeira camada. Revelar-se um pouco mais, deixar mais evidente a bagagem de quem escreve dá brilho ao texto, principalmente porque traz novidades ao leitor, histórias que ele ainda não experimentou.


Em seguida, podemos continuar o mergulho aprendendo mais sobre a língua... As figuras de linguagem, como os exageros (hipérboles) e as contradições (antíteses) por exemplo, são recursos elementares à linguagem figurada da literatura. Aliás, aprender sobre os gêneros literários também é uma outra camada a ser acrescentada nessa jornada da escrita, principalmente para quem quer ser escritor(a) literário(a).


O caminho para uma escrita mais fácil é longo, mas é prazerosa porque é um aprofundamento sem fim, em nós mesmos e em tudo mais que pode ampliar e amplificar nossa escrita.


Saia da superfície. Aprofunde-se. Acrescente camadas à sua escrita, com calma e generosidade. Sua escrita vai melhorar com o tempo. E escrever vai se tornar uma tarefa cada dia mais fácil e prazerosa.



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