• Lucão

Falou pouco, mas será que falou bonito mesmo?



Eu adoro o poder da síntese.


Foi através dela que me descobri escritor de poesia. Foi lendo os versinhos de escritores como Mario Quintana, Rubem Alves, Adélia Prado e Manoel de Barros que me aproximei do gênero e me interessei pela escrita dos versos.


Minha história na escrita poética começou com meus primeiros versos sendo compartilhados nas redes sociais, lá pelos anos de 2011 e 2012. Eu não planejei, mas aconteceu de a brevidade dos textos combinarem com a novidade das redes sociais, essa mídia de leitura rápida.


"Algumas pessoas nos dão pena. Outras, asas" ou "As pessoas mais bonitas que conheço só se vestem de si mesmas", meus primeiros poeminhos eram assim, curtos, rasteiros, e sintetizavam os pensamentos de muitos leitores. Eu trouxe isso também da minha escrita publicitária, onde eu exercitava bastante o texto rápido, capaz de fazer as pessoas pararem para pensar. Eu escrevia bastante até encontrar um título para uma campanha, uma frase final para um vídeo publicitário, uma chamada para o rádio.


Depois de um tempo me descobrindo poeta, aprendi que a síntese também era fundamental ao texto da poesia. Ser breve, não dizer tudo, deixar o leitor pensar... são todos elementos fundamentais para a poética textual. Então virou costume, escrever escrever escrever e depois reduzir reduzir reduzir até sobrar quase nada do texto, o pouco capaz de resumir uma ideia, um sentimento, uma reflexão.


"Eu e você não rima. Rimos" é muito melhor do que dizer "Eu e você não combinamos, mas nos divertimos quando estamos juntos", não é? Há uma brincadeira com a rima, no sentido figurado de "combinar", "soar parecido", assim como são os desejos de quem ama, de combinar, fazer dar certo. Mas eu não preciso dizer isso tudo. Basta a mim dizer "Rima. Rimos", explorando a sonoridade das palavras, que está dado o sentido.


Enfim, o que eu amo na poesia é isso, essa capacidade de sintetizar ideias, reduzi-las ao máximo — ou melhor, ao mínimo — para que o leitor volte a expandi-las no pensamento. Essa é a potência do texto poético.


Mas não confunda: nem todo texto curto é poético. É muito fácil encontrar hoje nas redes os escritores de textos curtos. E também é muito comum que as pessoas os confundam com poetas. Para ser poesia, anote: o texto não pode subestimar a inteligência do leitor.


Um texto poético, mesmo que breve, é terno. E eterno.








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