• Lucão

O medo é a porta da coragem




É o que mais escuto das pessoas que querem escrever mas temem a palavra: "tenho medo de me expor".


Lembro-me de quando comecei a escrever minhas coisinhas. Foi com dezoito anos e meu medo de escrever era um pouco diferente. Tinha receio que me lessem e julgassem minha escrita ruim, pobre, sem recursos. Como eu tinha dificuldade em colocar as ideias em no papel! Pensava uma coisa, escrevia outra, num ritmo descompassado, num desajustamento de palavras... Era sofrido. Mas era o que eu podia entregar naquele instante. E entregava.


Fui avançando assim, aceitando os recursos que tinha e também lidando com as dificuldades no texto para continuar melhorando. Hoje já posso dizer que a estrada me fez bem, e que a minha escrita é muito mais confortável. Conheço meu vocabulário, mas também tenho recursos para fugir do meu modo usual de escrever e inventar, caminhar por novas estradas. Sou feliz por isso.


Voltando ao medo de se expor, como já disse, é dos medos mais comuns. As pessoas simplesmente deixam de escrever porque têm medo do que o que os leitores vão pensar. Veja bem: as pessoas têm medo do que eu imagino que seja o maior bem de quem escreve: fazer as pessoas pensarem.


Sobre isso tenho algumas ideias para encorajar vocês a escreverem mais.


A primeira é que que, por mais que você se dedique para que as pessoas não pensem sobre você ao lerem seus textos, elas vão pensar. É inútil sofrer por antecedência, tentando prever o que as pessoas vão imaginar ao ler o seu texto. As pessoas vão pensar sobre o seu texto. É um fato. E isso é ótimo.Transforme esse medo em coragem, em estímulo para que você escreva mais e provoque mais as pessoas. Se você tem medo de que as pessoas leiam seus poemas e te julguem, lembre-se que isso é inevitável. É mais fácil você aprender a lidar com o medo do que as pessoas pararem de te julgar ao te ler. Mas lembre-se: o(a) poeta é um fingidor, como já disse Fernando Pessoa. Quer uma ajuda? Finja que não é você. Ou até finja ao contrário: diga que sim, que é sobre você. Mas ao invés de sofrer, divirta-se com o fato de as pessoas pensarem ao ler o seu texto. Essa é sua potência.


Mais importante sobre esse medo é lembrar que não é o trabalho do escritor(a) controlar o que o leitor vai pensar. O trabalho do escritor(a) é escrever. O do leitor é o de ler e interagir com o texto de acordo com as suas próprias vivências, ou seja, suas subjetividades. É a característica elementar da leitura, desfrutá-la através de si, das bagagens próprias, das reflexões individuais, da liberdade do pensamento.


Pense nisso: ao invés do medo, tenha coragem de se jogar ao texto e de dar ao leitor o prazer de ler e pensar. Exponha-se com coragem.


E desfrute dos vários caminhos que o leitor vai percorrer ao ler as palavras que você tanto sonhou em escrever. O medo é a porta da coragem. Atravesse-a.



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