• Lucão

Papel, computador, celular ou máquina de escrever?


Onde é melhor escrever? No papel, no computador, celular ou máquina de escrever? Essa é outra pergunta que as pessoas me fazem bastante


A resposta correta é: depende. Depende de como você se relaciona com cada uma das "máquinas". Se nunca escreveu numa máquina de datilografia, pode ser que essa opção gere sofrimento a você. Ou que seja interessante, curioso.


Quando eu estava no colegial, estudei numa escola técnica. Dentro da grade, tínhamos aulas de datilografia (que hoje nem existe mais). Fiz um curso de dois anos, dentro de uma sala cheia de máquinas barulhentas fazendo tec tec tec tec por uma hora sem parar. Eu entrava na sala, me sentava na cadeira e começava a praticar a partir de uma apostila. Eram exercícios repetitivos, que nos ajudavam a criar intimidade com as teclas e as funções da máquina.


Eu adorava a aula. Pratiquei bastante. E hoje sou um dos poucos no meu convívio que datilografa (ou digita) no teclado usando os dez dedos das mãos. Tenho agilidade, escrevo sem olhar para o teclado e posso datilografar por horas, até porque as teclas das máquinas são muito mais duras que a de um computador. Escrever no computador virou moleza.


Conto isso para mostrar como a minha relação com a escrita pode ser diferente da sua se você nunca fez datilografia. Ou até se nunca viu uma máquina de escrever.


Já fiz eventos dentro de lojas pelo Brasil com a minha máquina de datilografar. Datilografava poemas para os clientes que compravam nas lojas no Dia dos Namorados. Os clientes que compravam ganhavam um poema meu datilografado na hora. A vantagem da máquina é isso, que ela também já vem uma impressora embutida (rs). Então eu escrevia na hora um texto e a cliente saía mais feliz com um poema quentinho nas mãos.


Minha relação com a máquina é de afeto, tenho memórias com o equipamento. Sentar para escrever numa máquina de datilografar é sentar com todas essas lembranças. Eu gosto da máquina e às vezes ela me ajuda a ter novas ideias.


Mas também adoro escrever no computador quando tenho que redigir uma crônica como essa que estou digitando agora. Aqui eu consigo corrigir mais rápido um texto, organizar melhor os parágrafos, ser mais rápido com a escrita. O computador é mais rápido de alcançar, não preciso me preocupar com o erro, posso corrigir um texto imediatamente, diferentemente da máquina datilográfica.


Está percebendo como as diferenças nos equipamentos mudam bastante nossa escrita?


Eu também adoro a escrita à mão. Sou adepto dos cadernos, tenho vários. Normalmente, quando quero escrever poesia, uso o papel, sinto que a escrita flui mais sentimental com a caneta na mão. Gosto de ver minha letra, de perceber como ela se modifica dependendo do meu humor e do tempo que tenho disponível para escrever. É uma mecânica diferente, pois à mão nós desenhamos as palavras. Tem mais envolvimento emocional nesse processo.


Também escrevo no celular, apesar de achar mais frio o processo. Quando não quero perder uma ideia, anoto rápido no bloco de notas e guardo. Às vezes, quando estou sem outro recurso, faço tudo nele, escrevo poemas, trechos de livros, ideias para crônicas. Mas seria praticamente impossível escrever um romance inteiro num smartphone. Ao menos para mim.


E para você? Como é sua relação com a escrita? Onde você escreve melhor? Em qual equipamento você mais passa raiva? Em qual se sente mais feliz ou emotivo? Aprender sobre isso, sobre suas formas de escrever, é um caminho poderoso para ampliar sua escrita. Aprenda, descubra, experimente bastante e comece a ter clareza sobre o que acontece em cada equipamento.


Repito mil vezes se for preciso o que eu acho mais importante sobre a escrita: é escrevendo muito e experimentando bastante que mais aprendemos sobre o nosso processo.


Então escreva. E não se esqueça: aqui no Mola temos cursos para destravar sua escrita com mais técnicas e provocações para você soltar seu texto. Navegue, escolha seu curso e mergulhe em si.




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