• Lucão

Poesia como arma

Atualizado: 13 de Nov de 2020


Quem nunca tentou escrever e acabou frustrado com o próprio texto, que atire a primeira palavra.


Não é mesmo tão fácil escrever assim, com a assertividade que desejamos. Precisamos estudar, aprender sobre os recursos da escrita e escrever sempre para alcançar certo nível com as palavras.


Estava agorinha me lembrando de uma história do Mario Quintana, nosso poeta consagrado e por quem eu tenho uma admiração sem fim... Esse poeta, reza a lenda, nunca foi muito de cerimônias. Sempre foi mais da escrita coloquial, do povo... Mas com todo o prestígio alcançado pela boa escrita, não foram poucos os convites que recebeu para pleitear uma cadeira na disputada Academia Brasileira de Letras.


Diz que não foi fácil convencê-lo a disputar uma vaga. Mas, quando foi convencido, disputou e perdeu. Imagina a decepção, disputar o que não queria, com a promessa de que venceria, e perder. A história piora porque o Quintana ainda foi convencido a participar por mais duas vezes da disputa. E como vocês podem prever, sem sucesso de novo e de novo.


Não seria muito se o Mario Quintana mandasse todo mundo praquele lugar depois das derrotas. Mas não seria Quintana se também o fizesse assim. Nosso poeta popular, ou seja, do povo, ou seja, amado, fez desse caso uma oportunidade para se imortalizar de forma mais sublime: com um poema. E foi aí que, dizem as boas línguas, surgiu o poeminha do contra:


Todos esses que aí estão

Atravancando o meu caminho...

Eles passarão.

Eu, passarinho.


Versos simples e poderosos que se tornaram armas muito mais certeiras para consagrá-lo como grande poeta do que uma cadeira na Academia.


Legal, né? Quer aprender sobre o poder das palavras? Leia poesia. E de quebra, comece a fazer seus versinhos. Quem sabe numa brincadeira você não constrói suas armas com as palavras.




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