• Lucão

Publicar não é escrever

Atualizado: 22 de Dez de 2020

Não podemos confundir o ato de publicar nas redes sociais com o de escrever. Escrever é o acontece por trás.


Muita gente hoje busca cursos de escrita querendo ganhar relevância nas redes sociais, escrever para montar um perfil no instagram, uma página no facebook, ficar famoso e outros objetivos menores. Mas é preciso lembrar que isso não é escrever. Escrever é outra história. Ou melhor, outras histórias.


Escrever é uma habilidade que é fruto de outras habilidades e que afeta a vida de forma plena. Quem escreve bem é, sem dúvida, uma pessoa que se comunica mais, conta melhores histórias, manda melhores recados, pensa, reflete, critica, atua e nunca está só.

Escrever bem é consequência de atividades anteriores, como a leitura, a observação, a persistência, a consistência e a calma. Para que o texto bom surja é preciso ocupar menos as redes ocupando mais a vida. Tem a ver com ser ou não ser humano. Viver ou não viver.


Por isso, também são muitas as pessoas que começam a publicar nas redes e logo desistem da "escrita". Porque a escrita não existe. O que existe é esse desejo de publicar e ser reconhecido em um universo pueril. Sem a bagagem, sem a história que acontece por trás da publicação, a escrita não existe.


Mas, pelo contrário, com bagagem, com vivência e prazer em escrever, os atos de publicar nas redes, compartilhar em um livro, escrever em um jornal se tornam gostosos de se fazer. É a continuação da escrita, sendo lida, compartilhada, refletida, experimentada... É claro que sim, que quem escreve também deseja isso, ser lido(a). Mas jamais será isso antes do próprio ato, do principal, da estrela: a palavra.


Escrever é uma forma de multiplicar o pão numa ceia que, muitas vezes, só está quem escreve.


Eu adoro escrever sobre a própria escrita e certa vez rabisquei que "O poeta é quem faz o milagre de andar sobre as mágoas." Mas também já escrevi que "Escrevo pelo mesmo motivo que não estou morto. Escrever é viver-se."


Adoro escrever assim, sem plateia. Esse é o melhor aplauso, quando nos satisfazemos. Mas também adoro quando me aplaudem.


Desenvolvam a escrita como um todo, mergulhem em vocês mesmos, sejam suas plateias mais empolgantes. E garanto que a escrita não terá fim. Ah! O jabá: e contem comigo e meus cursos aqui do Mola para seguir ;)









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