• Mola

Seja desagradável


Não há armadilha mais perigosa para quem quer escrever ou já escreve do que querer, antes de escrever um bom texto, agradar o leitor.


São muitos os jovens escritores, principalmente na internet, que escrevem pensando nisso, agradar. Já até escrevi outra vez por aqui sobre os escritores cantadores de bingo. É comum esse movimento em quem ainda não sabe muito bem sobre o que é sua obra, seus materiais, seus temas e textos. Não se conhecer gera isso, desejo de escrever baseado em expectativas sobre o que os outros vão pensar. E para não correr o risco deles pensarem coisas ruins, escrevem primeiro para o outro, sobre os temas mais prováveis ao agrado do próximo.


Mas digo de antemão que escrever assim é um fracasso certeiro.


Escrever para agradar é perigoso por um motivo muito simples: a ausência da surpresa. É claro que quem escreve e quer ser publicado também quer agradar quem o lê. Normal. Mas não assim, antes do desejo de querer escrever algo relevante, autêntico, único. Quando o texto que se escreve é baseado no que o outro pode ou não pensar, deixamos de entregar ao leitor o que ele não espera ler: a surpresa.


E está aí o maior valor de um bom texto: a surpresa. Ou sua capacidade de pegar o leitor desprevenido e colocá-lo em um lugar que ele não havia imaginado. Isso também tem a ver com não subestimar quem nos lê. Quando quem escreve consegue deixar o leitor(a) espantado, aí sim o texto cumpriu sua missão.


Como eu já disse, sou contra o movimento dos escritores que suplicam a atenção dos leitores nas redes sociais escrevendo textos para agradá-los. Prefiro o desagrado, só pelo fato de já ser uma surpresa desagradar o outro. Sou a favor da surpresa, de encontrar o que o leitor não espera ler. De pegar o leitor num susto, desprevenido, e fazê-lo caminhar por outros caminhos, outros pensamentos.


Esse parece ser um caminho mais difícil, é o que costumam dizer. Mas, pelo contrário, é o caminho mais simples. Basta assumir quem você é, suas histórias únicas, que ninguém mais viveu. Esse é um ótimo começo para quem quer surpreender: contar suas próprias histórias. Ninguém sabe delas mais do que você. E pouca gente sabe como aconteceram. Conte-as. Compartilhe os detalhes que só você poderia narrar. E veja como as pessoas se sentirão mais agradadas com essas leituras do que com as leituras dos textos que supõem agradar, mas não agradam.


Seja desagradável. Surpreenda!




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