• Lucão

Tem um pássaro pousado no meu dedo

Outro dia fiquei tentando me lembrar de como aprendi a gostar de poesia.

O que eu sabia de forma clara é que não tinha sido na escola. Lembro-me do medo que tinha do poema, da estrutura, das estrofes, dos versos, das rimas. Acho que fui apresentado ao soneto, e acabei aprendendo que poesia era isso, uma estrutura rígida, inquebrável. Não me amoreceu.

Depois, quando desenvolvi o meu gosto pela leitura, passeei por cronistas brasileiros, contistas, humoristas... Fui desenvolvendo meu gosto assim, devagar, descobrindo o que realmente me interessava e o que eu poderia evitar (ao menos por ora) para que a leitura não perdesse a graça. Num desses passeios, descobri Rubem Alves.

O primeiro livro que li do autor foi “O amor que acende a lua”. Um título vibrante, não? Não sei se estou certo sobre o que vou falar agora (decidi não pesquisar no google para confirmar, pois quero crer na memória um pouco mais e escrever como quem tem bagagem rs), mas que eu me lembre, foi nesse livro que li os versos mais bonitos sobre o amor: “Amar é ter um pássaro pousado no dedo. Quem tem um pássaro pousado no dedo sabe que a qualquer hora ele pode voar”. Achei tão bonito pensar no amor assim.

Fiquei pensando no amor como um pássaro pousado no meu dedo. Era uma imagem muito fácil de “pegar”. E era muito mais fácil pensar na liberdade do amor assim, com esse passarinho pousado no meu indicador. Essa analogia potente, capaz de me fazer refletir, descobri que também era poesia. E através dela, aprendi a gostar dos poemas.

Então fui reapresentado aos poemas por um cronista, Rubem Alves. Aprendi que sua prosa era poética. E descobri em sua prosa, os(as) poetas que hoje guardo no meu canto favorito da leitura. Mario Quintana, Manoel de Barros, Adélia Prado, Ferreira Gular, Paulo Leminski, Ariano Suassuna, etc., etc., etc., são tantos nomes importantes que passei a gostar, que teria que dedicar minha vida literária inteira a ele, Rubem Alves, como agradecimento. E dedico.

Mas o que eu gostaria de dizer, mais do que contar a história de como aprendi a gostar de poesia, é que a poesia é muito maior do que a estrutura do poema. Poesia é tudo que nos comove e nos deixa... como eu posso dizer? Em estado de espanto e contemplação.

Procure as poesias que te comovem. Ler poesia é um ótimo exercício para manter a mente ativa, pensante e saudável. De repente, de tanto ler e vivenciar o gosto pelo poema, acho que você também vai querer escrever uns versinhos, como os de Rubem Alves ou de tantos outros(a) poetas que fotografam a beleza da vida através das palavras.

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